Conhecí o *Paulo quando eu tinha 15 anos, nós tínhamos alguns amigos em comum. Ele não estudava na mesma escola que eu, mas o ví a primeira vez em frente a escola que eu estudava. Ele estava lá todos os dias no mesmo horário, esperando a nossa turminha sair.
Eu já havia ouvido falar dele, pois na época estava em alta um estilo musical chamado "Underground" e a moda era os garotos se vestirem no estilo e dançarem nos bailinhos esse ritmo que virou febre. Já ouvia falarem de um grupinho de garotos que tinham o apelido de "Os unders" justamente pela forma de se vestirem e dançarem, e ele fazia parte desse grupinho.
Havia ouvido falar dele também pelo fato de ele estar afim da minha melhor amiga ne época, mas ela sempre dizia que não queria nada com ele.
Pelo fato de ele estar todos os dias na frente da escola esperando a gente sair para ele ver a minha amiga, acabamos pegando amizade. Ele estava sempre na vila aonde morávamos e na casa dessa minha amiga, pois tinha amizade com o irmão dela e frequantávamos a mesma danceteria (a mesma que o crápula do post anterior era DJ), e embora ele não fosse muito "provido de beleza", fiquei encantada com a simpatia dele e a forma de dançar, pois sempre amei dança.
Porém, por eu ser a melhor amiga de quem ele estava apaixonado, o meu ombro servia de consolo para ele. Confesso que a minha amizade com ela já andava meio estremecida, embora ela sempre o tivesse desprezado e dito que não queria nada com ele, quando eu confidenciei a ela que estava gostando dele, ela mudou o comportamento comigo, mesmo eu tendo dito a ela que a minha intenção era continuar ajudando os dois a ficarem juntos, caso ela tivesse algum interesse. Mesmo assim ela negava o interesse.
Enfim, acabei contando a ele o que eu estava sentindo e ele foi direto em dizer que não iria rolar nada entre nós, pois ele gostava demais dela. Mas a nossa amizade continuou e ele não me tratou com indiferença por isso, muito pelo contrário, eu continuava cada dia mais afim dele e tinha que aturar as choradeiras dele ao pé do ouvido por causa desse amor não correspondido, e eu continuava tentando fazer com que eles ficassem juntos.
Mas eu cansei. Estava sofrendo demais com essa situação. Via a pessoa que eu estava apaixonada se arrastando aos pés de quem não o queria (embora nessa altura do campeonato eles já haviam ficado juntos algumas vezes, e ela só ficava com ele para me magoar e prendê-lo ainda mais).
Minha amizade estava mais fortalecida com a irmã gêmea dela e era ela quem me dava uns "toques" das más intenções da irmã em me magoar, que ela era do tipo que não admitiria perdê-lo, mesmo sem nenhum interesse nele... enfim...
Numa certa noite em que fomos eu, a irmã dela e uma outra amiga (nos tornamos inseparáveis as três) até a casa dele, na volta ele nos acompanhou até em casa e no caminho eu encontrei aquele meu primeiro amor (o do primeiro post) e fiquei balançada (como eu havia dito que o amei durante 4 anos, essa época o incuía, pois AMOR eu sentia por ele)! Meus olhos se encheram de lágrimas e o *Paulo ficou incomodado com a situação... Mas, peraí! Ele não queria nada comigo!
Eu fingí não perceber a reação dele e ignorei, mas ao me deixar em casa ele me pediu em namoro e disse que aprendeu a gostar de mim! Eu disse que daria a resposta no dia seguinte só para fazer um drama, e aceitei.
Começamos a namorar, mas as coisas não eram flores...
Ele começou a mudar de comportamento, estava agitado, muitas vezes estávamos numa turminha de amigos na rua e ele sumia com os meninos e não voltava... me deixava lá...
Éramos três casais, minhas duas amigas também namoravam com dois amigos dele e passávamos as três pela mesma situação, o sumiço repentino deles...
Ficamos sabendo que eles começaram a se drogar. Começaram cheirando Tinner, depois fumando maconha e um curto tempo já estavam no cocaína!
Como sofremos! Passávamos os finais de semana andando pelas ruas atrás deles e nem sempre os encontrávamos...
Lembro de uma noite, era nosso baile de formatura. Embora não participamos como formandas, íamos ao baile ver nossos amigos. Nosso estilo de roupas era bem largado, calças bem largas (as chamadas calça Big da época) e tênis, mas nessa noite resolvemos fazer diferente! Nos arrumamos como "mocinhas", nos maquiamos, arrumamos os cabelos umas das outras, colocamos saltos (coisas que jamais fazíamos) e decidimos esquecer deles pelo menos naquele dia. Mas no caminho, não nos contemos e passamos no local aonde eles costumavam ficar, somente na intenção de que eles nos vissem arrumadinhas...
Quando chegamos no local, eles estavam com outros amigos em rodinha, e alguns deles vieram ao nosso encontro, tentando nos tirar dalí... estava escuro e eu tentava enxergar o *Paulo entre as pessoas, perguntei por ele e deram uma desculpa qualquer, mas eu saí em direção aquela rodinha e o encontrei no chão, tendo uma crise de overdose, desmaiado... Pedí para chamarem a mãe dele mas o irmão dele negou, e disse que não era para eu me meter, que era para deixar como estava pois não era a primeira crise que ele tinha e que sempre ele ficava bem.
Aos pouco ele realmente foi voltando a consciência, lembro que ao se recuperar, mal me olhou e saiu novamente com o grupo de "amigos"...
Resolvemos retornar ao nosso passeio, mal aproveitei, chorei o baile inteiro, não dormí e no dia seguinte perguntei a um amigo na escola sobre ele e a resposta foi que depois que ele se recuperou, saiu novamente para usar drogas!
Cansei! Estava esgotada daquela vida, daquelas pessoas que não queriam se ajudar e nem serem ajudadas! Estávamos correndo perigo pois já ouvíamos falar que eles estavam até sendo ameaçados por traficantes, e claro, acabávamos sendo alvos também!
Terminei o meu namoro com ele, mas a mãe dele me chamou para conversar e pediu que eu a ajudasse a tirar ele e o irmão dessa vida, e que eu era a única esperança que ela tinha...
Ok, por ela eu continuei, mas por pouquíssimo tempo... tentei, mas eu já não tinha mais forças... Não dormia mais preocupada com ele, namorava escondida do meu pai e embora minha mãe sabia, ela não podia nem sonhar com o que eu estava envolvida, com certeza faria eu me afastar dele e eu não queria trair a confiança dela!
Enfim, quando eu terminei definitivamente o namoro, ele disse que agora sim teria motivos para se afundar nas drogas, mas eu sabia que esse era apenas um pretesto para justificar o poço em que ele estava se atirando...
Além do mais, meu amor ainda estava guardado para aquele do primeiro post...
Como era de se esperar, o *Paulo teve um final trágico... Depois de alguns anos sem vê-lo e apenas ouvir comentários sobre a relação dele com as drogas, soube que foi morto cruelmente por traficantes, notícia essa que infelismente não me surpreendeu...
Apenas sentí muito pela pessoa que eu conhecí lá na porta da escola, alegre, engraçado, popular pelo seu jeito de dançar... Rezo até hoje pela sua alma! E desejo que ele tenha encontrado finalmente a paz do seu espírito!
Deixo aqui uma seleção de músicas que quando ouço, parece que vejo na minha frente uma roda se abrir e ele entrar dançando daquela forma que só ele sabia e que deixava todos boquiabertos...
http://www.youtube.com/watch?v=zjL98nyXlJU
Beijos!